Carta

Quando era menina, Esther Lee* via seu avô recebendo amigos em casa aos domingos, e ela não entendia por que tinha de brincar do lado de fora, mesmo quando não queria. Muitos anos depois, quando estava na China pela segunda vez, um missionário sul-coreano lhe mostrou a imagem de uma Bíblia. Naquela noite, Esther sonhou com seu avô, reunido com seus amigos, todos ajoelhados em volta de uma Bíblia. Ela pensava que era a primeira de sua família a se converter, mas então percebeu que seu avô havia orado por ela durante todos aqueles anos.  
Depois que seu marido morreu, Esther precisou encontrar uma maneira de sustentar a si mesma e aos seus filhos. Isso causou uma situação ainda mais perigosa. Ao esconder-se das autoridades norte-coreanas, acabou nas garras do tráfico de pessoas e foi vendida a um chinês. Essa realidade é comum entre as mulheres norte-coreanas. A maioria dos refugiados permanece na China por alguns dias ou semanas, com exceção das mulheres que escolhem ou são forçadas a se casar. 
Um dia, porém, Esther recebeu um telefonema de alguém que disse que poderia ajudá-la a escapar. No entanto, era uma emboscada que a levou a uma delegacia e, depois de sete dias, a uma prisão chinesa. Funcionários da Coreia do Norte vieram buscá-la. Uma terrível prisão norte-coreana com péssimas condições a esperava: “Fiquei lá por um mês e depois fui transferida para um pequeno campo de trabalhos forçados, de onde consegui fugir junto com outras duas senhoras. Estávamos fracas a ponto de quase desmaiar. Eu ainda não era cristã, mas eu tinha ouvido falar de Jesus quando eu estava na China. Inconscientemente, orei por ajuda”. 
Esther foi de novo presa quando chegou em outra aldeia e levada a outro campo de trabalhos forçados. Havia uma senhora em sua cela que era diferente de qualquer outra pessoa. “Estávamos numa situação infernal, mas ela parecia em paz. ‘O que está acontecendo com você? Por que você está tão calma? ’, perguntei a ela, que me respondeu: ‘Quando eu estava na China, Deus me tratou como uma princesa’”. Era uma senhora frágil e idosa, mas Esther respondeu: “Eu também quero ser uma princesa”. “Apenas ore como eu: ‘Obrigado, Deus, por tudo. Faça a sua vontade. Em nome de Jesus Cristo, amém’”, disse a cristã. Aquela havia sido a coisa mais estranha que Esther já havia ouvido. “Por que devo agradecer por essa prisão?”, ela perguntou. “Apenas faça isso. Agradeça, continue a agradecer”, completou a cristã. Esther seguiu o exemplo, agradeceu e pediu a Deus que a libertasse. 
A “princesa de Deus” compartilhou uma pequena versão do evangelho com todos na cela da prisão. Ela pediu para que orassem ao Pai, ao Único ou em nome de Jesus. Com fé, ela testemunhou que deixaria a prisão em breve, como aconteceu.  
Deus também respondeu às orações de Esther, libertando-a por meio de um dos guardas. Mas sem conseguir contato com os filhos, Esther decidiu cruzar o Rio Yalu novamente, e na China ela conheceu de verdade o Deus de quem havia ouvido falar. “Conheci um missionário e participei de um estudo bíblico, e quando estudei a Bíblia, fui totalmente transformada. Comecei a experimentar o Deus vivo, acreditei em Cristo e confessei a ele os meus pecados”, compartilha. 
Hoje, na Coreia do Sul, através da Portas Abertas, a cristã pode contar ao mundo o que vivenciou e o que acontece hoje na Coreia do Norte. Ela está envolvida no ministério que ajuda refugiados norte-coreanos, como ela foi um dia, e testemunha que Deus faz milagres. Por isso, ela ainda ora para que seus filhos possam encontrá-la na Coreia do Sul e que ela possa compartilhar com eles o evangelho para que também se tornem seguidores de Cristo. 
“Obrigada por orar fielmente por meu país. Ainda há muito a melhorar, mas Deus usa suas orações para realizar muitos milagres”, finaliza.