Carta

“Estou em casa”
 
Nidal e Janan foram umas das primeiras pessoas a retornar à cidade de Telskuf, no Iraque. As duas irmãs, juntamente com seus maridos e seis filhos, deixaram suas casas para escapar do grupo Estado Islâmico em 2014 e viveram como deslocados na cidade de Dahuk. 
“Nós tínhamos água e eletricidade lá, mas não nos sentíamos em casa. Este lugar onde estamos não tem tudo isso, mas é um lar”, conta Nidal. Ela acrescenta que estava deprimida como deslocada: “Mesmo quando havia um aniversário ou um casamento, eu não participava da festa. Eu me sentia mal em celebrar”.
As duas famílias receberam ajuda emergencial da Portas Abertas enquanto estavam lá, sobrevivendo graças às cestas básicas distribuídas por parceiros locais. “Isso nos manteve vivos e esperançosos, e nos ajudou a esperar por dias melhores”, contam.
Nidal apontou para sua filha jogando no celular, e diz: “E veja, tempos melhores vieram! Hoje estou mais feliz do que nunca. Estou em casa”.
Elas voltaram para Telskuf no início deste ano, e viram sua casa saqueada pelo Estado Islâmico e que havia muito a ser restaurado. O grupo demoliu toda a infraestrutura das cidades que ocupou, de modo que até os cabos de energia e sistemas de água precisam de reparos. Por isso, os repatriados dependem de geradores e caminhões que distribuem água. 
Muitas famílias cristãs das planícies de Nínive migraram para países ocidentais desde 2014. Mas esta não era uma opção para Nidal.
“La! (a palavra árabe para "não"). Nós pertencemos a este lugar. De jeito nenhum sairemos desse país. É por isso que escolhemos voltar, para mostrar aos outros que é possível, dar exemplo e motivar aqueles que possam estar em dúvida. Voltando aqui também damos esperança aos nossos filhos, mostrando à nova geração que eles têm um futuro no Iraque”, diz com firmeza.
Embora Nidal esteja ansiosa para ficar em Telskuf, a vida ali não é fácil, em especial para as crianças: “Não há escola para elas. Meu cunhado tem de levá-las a outra cidade, cerca de 15 minutos daqui, todos os dias. Mas a boa notícia é que a vida continua. Todo dia é um novo dia. Nós cremos em Cristo. Ele nos ajudará nesse período. Ele nos mantém fortes.”